JOGAMOS: Ved Recure
Quem nunca teve um backlog, aquela famosa lista de jogos intermináveis seja na sua Steam, PSN ou Xbox?
Ved: Recure é um indie roguelite de ação da SummerClip que parte de uma proposta curiosa: você é um jogador com imensa lista de jogos, e vai testar finalmente seu milésimio jogo comprado e nunca aberto. Na história, Zane é um trabalhador exausto que perdeu o entusiasmo pelos videogames e acaba sendo transportado para esse mundo pelo Deus dos Jogos, Demeowrge. Lá, ele encontra uma realidade tomada por robôs, uma torre misteriosa e habitantes enfrentando problemas que acabam dando a ele um novo objetivo.
Apesar da premissa brincar diretamente com o hábito de acumular jogos na biblioteca, é no combate que Ved: Recure concentra boa parte da sua experiência. O jogo coloca o jogador rapidamente diante de grupos de inimigos, sem apostar tanto em exploração durante a jogatina. Depois de cada confronto, é possível escolher recompensas que melhoram atributos, aumentam vida ou energia, liberam pontos para a loja ou permitem acessar novos recursos. A estrutura segue esse ritmo até os confrontos contra chefes, que exigem mais atenção aos ataques, esquivas e aparadas.
O sistema de combate é rápido e bastante baseado na criação de combinações. Durante uma run, o jogador encontra melhorias capazes de modificar seus golpes e adicionar novos efeitos aos movimentos. A proposta é montar uma cadeia de buffs que funcione de acordo com o personagem e a situação, criando diferentes possibilidades para aumentar o dano ou gerar efeitos específicos. O jogo conta ainda com sete personagens jogáveis, cada um com habilidades, estilos e caminhos de evolução próprios.
Como padrão de roguelites, a progressão também acontece fora das runs, onde equipamentos podem ser comprados em uma loja que se atualiza após cada tentativa e alguns deles formam conjuntos capazes de conceder atributos e efeitos adicionais. Armas também podem ser adquiridas e aprimoradas, enquanto níveis de habilidade aumentam características como dano dos ataques básicos e golpes especiais.

Nas primeiras horas, o que mais me chamou atenção foi justamente a fluidez dos combates. Os movimentos são rápidos, os combos respondem bem e adicionar novos efeitos aos golpes deixa cada tentativa mais interessante. Ao mesmo tempo, a estrutura bastante repetitiva pode pesar depois de algumas partidas, principalmente porque o caminho dos confrontos tende a seguir uma estrutura semelhante. Ved: Recure é aquele arroz e feijão que já temos quase todo mês, com um visual a lá Genshin Impact, mas que continua sendo só um arroz e feijão.
Outro ponto que merece atenção é a ausência de português do Brasil. Mesmo sendo um jogo indie, custando mais de 50 reias no lançamento, poderia ter uma legenda, afinal sempre facilita e incentiva o jogador brasileiro a entender mais da história e dos sistemas do jogo.
Para quem está na sede por novos roguelties, Ved: Recure pode atender essa vontade, mas não convence a ponto de atrair novos fãs ou quem tem uma régua mais alta por jogos roguelite.




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