Kusan: City of Wolves – Review

Não é todo dia que um jogo de ação com visão superior consegue chamar a atenção no meio de tantos lançamentos, mas Kusan: City of Wolves me pegou logo de cara pelo estilo. Lançado agora no final de julho de 2026 para PC, PlayStation 5, Xbox Series X/S e Nintendo Switch, o título de estreia do estúdio Circle from Dot em parceria com a PM Studios é uma grata surpresa para quem estava com saudades daquela frenesi violento dos anos 2010.

A proposta é direta ao ponto: um jogo de tiro e combate corpo a corpo extremamente hardcore onde um único erro significa a morte instantânea. A inspiração em Hotline Miami é evidente desde os primeiros segundos, seja pela câmera do topo, pela matança veloz, pela violência gráfica em pixel art ou pelo ritmo que te obriga a reiniciar a sala em um piscar de olhos, mas Kusan consegue criar uma identidade bastante própria. Em vez de focar apenas no troca-troca de armas do chão, a experiência aqui é muito mais centrada em combate de curta distância e na movimentação do próprio protagonista.

Na história, assumimos o papel de Jein, um ex-soldado e mercenário (que é um lobo antropomórfico) tentando sobreviver em uma metrópole cyberpunk e chuvosa dominada pela corrupção e pelo crime organizado. O que era para ser apenas mais um contrato acaba virando uma missão de resgate quando ele precisa proteger Haru, uma garotinha coelho portadora de poderes psiônicos devastadores. A narrativa não tenta reinventar a roda e flerta bastante com clichês do gênero noir/cyberpunk, mas brilha na forma como é contada: painéis no estilo graphic novel com estética de HQ que dão um tom muito bacana entre as fases, mantendo o ritmo sempre lá em cima.

O grande destaque fica para a gameplay e o arsenal. Jein carrega a chamada Mão Bélica (Warhand), um braço mecânico capaz de dar socos devastadores, que arremessam portas e esmagam inimigos contra a parede, além de aparar projéteis e puxar alvos. Somado a isso, temos uma faca quântica arremessável com retorno magnético e armas de fogo para suporte. A progressão é inteligente e recompensa quem explora as 54 salas da campanha: os recursos coletados não são perdidos ao morrer, e as melhorias são organizadas em um inventário expansível que funciona quase como um Resident Evil, te fazendo gerenciar o espaço para encaixar novas habilidades.

Tudo isso ganha ainda mais vida com a apresentação do jogo. A direção de arte traz uma pixel art muito bem trabalhada e estilizada, combinando cores em neon com o clima soturno da cidade. Para embalar o caos, a trilha sonora composta pelo produtor coreano de hip-hop Loptimist entrega beats pesados e cheios de energia que casam perfeitamente com a proposta.

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Como pontos fortes, Kusan entrega um combate extremamente responsivo, chefes marcantes ao fim dos capítulos e uma sensação imensa de satisfação quando você finalmente decora a rota e limpa uma sala sem levar um único arranhão. Por outro lado, para não dizer que tudo é perfeito, o jogo tem pequenos tropeços de ritmo: a janela de tempo para aparar (parry) certos ataques de longa distância, como os projéteis de drones, exige reflexos quase milimétricos que podem soar um pouco punitivos demais na correria, além de a campanha dar uma leve desacelerada na variedade de situações no seu último capítulo.

Com uma campanha bem enxuta que dura entre 5 e 8 horas, Kusan: City of Wolves é um prato cheio para quem busca um desafio rápido, ágil e cheio de personalidade. É uma estreia muito sólida e um prato cheio para quem quer matar a saudade de um bom top-down shooter desafiador.

Agradecemos a desenvolvedora pelo código para review, realizada em parceria com nosso colaborador Anima.

Fã de um pouco de tudo da cultura pop: cinema, games, animes, HQs e criador do Expresso Nerd

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