JOGAMOS: Astro Colony

Se você é fã de jogos de automação e gerenciamento de bases no estilo Satisfactory ou Factorio, Astro Colony é um título que provavelmente já entrou no seu radar. Desenvolvido e publicado pela Terad Games, o jogo passou um bom tempo em Acesso Antecipado e finalmente chegou à sua versão final no PC. A proposta aqui é bem clara: te jogar em um universo gerado proceduralmente e dar as ferramentas necessárias para você construir uma rede gigante e automatizada de colônias espaciais.

No comando de um astronauta em visão em terceira pessoa, você começa em uma pequena plataforma flutuante cercada pelo vazio. A dinâmica inicial lembra bastante a lógica de jogos de sobrevivência no estilo Raft, onde você precisa coletar recursos básicos que passam flutuando perto de você, no caso, meteoritos. A partir daí, o ciclo de gameplay se estabelece: você processa essa matéria-prima, desbloqueia novas tecnologias na árvore de pesquisa e começa a montar linhas de produção cada vez mais complexas.

O grande diferencial de Astro Colony está na escala e na mobilidade. Diferente de outros jogos do gênero onde você fica preso em um único mapa fixo, aqui você pode mover suas estações espaciais, minerar planetas e asteroides inteiros até consumi-los por completo e usar sistemas de ancoragem para puxar pequenas ilhas flutuantes para perto da sua base principal, conectando tudo através de esteiras rolantes, tubos de fluidos e redes elétricas. Além disso, existe um componente de gerenciamento onde você precisa recrutar e cuidar das necessidades de novos astronautas para manter sua colônia funcionando.

Nos pontos positivos, destaca-se muito o foco na usabilidade que a desenvolvedora teve ao projetar o jogo. Recursos como o Armazém Inteligente evitam aquela microgestão chata de ficar carregando itens no inventário para poder construir coisas pelo mapa, puxando o material direto do estoque. O sistema de voo livre do personagem facilita bastante a construção em três dimensões no espaço. Para quem curte jogar acompanhado, o modo cooperativo online funciona bem e ajuda a dividir o trabalho na hora de projetar fábricas maiores. Esteticamente, o jogo entrega um visual bonito no estilo voxel e roda de forma surpreendentemente fluida na maioria dos computadores.

Por outro lado, o jogo ainda entrega alguns pontos negativos que podem incomodar, principalmente jogadores mais exigentes. A interface de usuário e os menus de seleção de máquinas não são tão intuitivos, exigindo um tempo até você se acostumar com onde fica cada função. A precisão na hora de passar cabos e esteiras também pode irritar um pouco devido ao sistema de grid pré-definido em blocos, que não permite rotações totalmente livres. O tutorial inicial, conduzido por um robô assistente, acaba deixando a desejar ao explicar sistemas mais avançados, forçando o jogador a aprender na base da tentativa e erro. Por fim, algumas entidades como robôs e drones de carga ainda apresentam pequenos bugs de navegação pelo cenário nas versões recentes.

Em termos de plataformas e disponibilidade, no momento Astro Colony está disponível exclusivamente para PC através da Steam. O jogo conta com suporte para partidas cooperativas online, integração com a Oficina da Steam para uso de mods e traz interface e legendas adaptadas para Português do Brasil. Para quem roda no computador, os requisitos de sistema são bastante acessíveis, pedindo como recomendado uma placa de vídeo da Nvidia GTX 1060, que deve atender mais facilmente a maioria dos gamers.

Astro Colony é um título bastante honesto no que se propõe a fazer. Ele pega as melhores ideias dos gigantes da automação espacial e entrega uma experiência sólida, que respeita o tempo do jogador e oferece dezenas de horas de conteúdo. Se você passa por cima de alguns percalços de interface e pequenos bugs de lançamento, vale muito a pena conferir.

Fã de um pouco de tudo da cultura pop: cinema, games, animes, HQs e criador do Expresso Nerd

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